domingo, 15 de setembro de 2013

Nùcleo de Estudos Foucaultiano


O Doente Imaginário 

 
Núcleo de Estudos Foucaultiano © Gênesis Naum de Farias
Poeta Bruxulesco® - Professor da Universidade Estadual do Piauí.
São Raimundo Nonato/PI/Brasil.

  
Eu desisto! Assumo no instante presente que sou o que nunca consegui ser. Fui mesmo a vida inteira um sonhador de palavras velhas que cansadas, pretendem parar de soletrar murmúrios tardios e, mesmo em face dos amores que vivi, sinto estar velho para amar outra vez. O amor é mesmo um luxo caro, já dizia um Poeta Português. Mas o amor é encantador e por isso se ama por assim dizer e ter o que falar. É doce sentir nas palavras que o ato de amar é incontestavelmente singular. Só ama quem produz sentido, fazendo as palavras decantarem prantos, dramas, solfejarem notas sempre insurretas e prematuramente, sofrer na intensidade do desencanto. Amar é isso, é fingir que dói, quando se corroer por dentro, é o mesmo que fingir que não dói não atingir as primícias do ato de amar. 

Amar nem sempre é bom, mas nos torna grandes, quando ainda somos bem pequenos para parolar sobre coisas divinas que nem sempre podemos alcançar. Quando se ama se ama. Quando se perde um grande amor, se perde de vez e se perde os rumos do norte nas canções do mar, quando em noites de lua, o seu marolar é mais intenso que as ondas do ar. O amor é fogo. Encerra-nos por dentro e nos faz destoar em pensamentos tardios, deixando-nos sem sono, sem fome, sem desejos pretensamente materiais, sem a pressa cotidiana, sem a temperança do amanhecer e, nostalgicamente, nos encanta. O encantamento das palavras quando afirmadas com sinceridade nos faz crer que somos maiores do que tudo. Ele nos transporta no imaginário de alguém, fazendo lembranças se tornar saudades redentoras e, são tão complexas as causas que levam um indivíduo a amar, que ele nem mesmo sabe por que ama sem o contentamento do instante. 

Quando se ama alguém no instante antigo do desapego, tudo se faz conspiração, mas os rumores tardios, sem retoques, ampliam o acaso dos registros mais sinceros. É como ver o tempo nos adormecer com a ternura de uma criança e nem sentir as horas que passam sem a misericórdia do controle. O relógio do tempo é mesmo o infame que nos atordoa quando queremos sofrer ao dizer ao outro quem o ama. É um segredo revelado, porém maculado e impoluto que atinge a grandeza redentora da verdade. Já não se têm amantes como outrora, que mesmo em face de qualquer descontentamento, falam do amor como asas de mistério. 

Na verdade, a realidade é tão severa com quem ama, que dizer o que sente, já se tornou tão banal e impróprio, que ser verdadeiro com as palavras torna-se doloroso e penoso, pois verdades que nascem mortas, não servem para serem ditas. O amor nestes casos torna-se revelador a ponto de nos perguntarmos por que escrevemos ou porque sofremos pela verdade não dita. O triste disso é que a humanidade se tornou enferma de si própria sem entender a ética do cuidado de si. Mas o dia nasce para quem ama e os primeiros dias da primavera já nascem velhos e sorumbáticos, como se nem fosse a estação dos primeiros encontros, dos primeiros projetos, dos primeiros sonhos, dos primeiros olhares, das primeiras enamoradas e, porque não dos primeiros arroubos. 

Quando a humanidade reaprender a amar, os dias se tornaram mais longos, as horas mais descompassadas e os passos mais lentos. O difícil é fazer esta mesma humanidade se reencontrar na amável doçura de uma certeza jeitosa, já que sem muitos sonhos e sem muitas aspirações, caminhamos para o mesmo desfecho, sonolentos como almas tristes que não encontram paz nas coisas mais simples. Mas quem sabe minhas infindas desistências não são prematuras porque também nunca soube amar da forma que o concebo nos meus devaneios poéticos. Tem horas que pensamos em desistir de tudo, inclusive dos raios do sol que iluminam o dia. É quando deveremos pensar que certas incertezas servem para nos fortalecer diante das adversidades, isto porque nem sempre somos tão capazes de falarmos de nossas próprias fragilidades; mesmo aquelas mais recalcadas. O recalque que nos orienta é intolerável e deve ser pensado assim.  

A vida tem se tornado intolerável porque nunca conseguimos interpretar o que deveras ser conjugado com sinceridade, mas quando escrito, torna-se documento. Talvez se o ato de amar alguém fosse interpretado com mais pureza, as incertezas históricas do ser humano pudessem se tornar mais explicativas. Nos velhos casarões da memória, tudo afirma uma sensação triste, porque tudo passa, inclusive a certeza de quem somos ou de quem amamos. Um dia escrevemos o nome de alguém em nosso coração e outro dia simplesmente o tiramos daquele lugar sagrado, cheio de verdades. O que não passa é a certeza de que as mais profundas horas atordoam qualquer vivente no eito dos passos lentos, nos decênios de uma cidade morta. Quando descrevemos o amor em tempos de cólera é para documentar que ele nos imprime verdades nem sempre sinceras, afinal, somos o que somos porque sempre fazemos escolhas impróprias que de forma nem sempre elegante, ressoa em ruas despedaçadas. Mas amar é sempre bonito. Tanto para quem ama, quanto para quem é amado e, por isso suas asas de mistério são enormes e quase nunca é percebida por quem não sabe o que é o amor. Dorival Caymmi já cantava, “Você não sabe amar meu bem, não sabe o que é o amor, nunca sofreu e quer saber mais que eu...”. 

Eu sempre acumulo muitas perdas porque minhas paridades são sempre intensas. Costumo sempre dizer que nos meus romances de angústia, as fatalidades são sinceras e desencontradas no isolado som da tristeza, sob a sombra distinta da partida. Vivo de dilemas infernais a espera do conforto da palavra, na toada das dores de um passado que o esteio esvoaçava no recinto dos sonhos, e sob a visão de castelos demolidos, me reconheço sem a altivez dos profetas que a esmo se perdeu nos termos da euforia. E que o decrepitar da timidez me consome, em clamores, vive imerso minhas fantasias e de nostalgias, vivo preso à agonia... 

Mas se assim sou, como posso ao tempo de uma existência, me definir para despersonificar a essência dos contrastes que envolvem as incertezas do meu nítido silêncio de Poeta? Primeiro, seria preciso dizer que sou um homem do mundo, habitado por muitos lugares e composto por uma simbologia contida de desencontros. Eis o que o tempo sempre me diz: sou no espírito deste tempo, uma Esfinge de Mármore. Eu poderia reivindicar para os meus eus a máxima de Terêncio (185 – 159 aC) adotada integralmente pelo pensador Karl Marx: “Sou humano: nada do que é humano reputo alheio a mim”. 

Agora, desistindo de tudo, inclusive e mim mesmo, me ponho a pensar como um doente imaginário que busca para si a extraordinária certeza da razão de que desistir de amar é como desistir de viver, e faço das palavras de Augusto Renoir as minhas, quando descreveu o mais belo amigo, Amadeu Modigliani, a dançar na chuva feito uma criança insone que de louco tinha apenas um pouco de lucidez: “(...) Eu o vi dançar uma vez, perto da estátua de Balzac. Seu rosto estava bonito, seus passos graciosos... Pavoneado-se com a música, ele sorria... Ele foi tudo o que eu já fora. Roubei aquele momento e guardei-o na memória... Para estar lá e me confortar nos meus dias finais”.
 

Imprensa Foucaultiana®

 

 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Núcleo de Estudos Foucaultiano


IX Encontro de Professores Pesquisadores Sobre Educação na Contemporaneidade

UESPI\Núcleo de Estudos Foucaultiano\Seleção de Imagens\Conferência do Professor Gênesis Naum de Farias.



Acontecerá no Campus da UESPI - São Raimundo Nonato
Eixo Central do Evento: Interdisciplinaridades Foucaultianas: Uma Trajetória pelas Ciências da Subjetividade.



         Está acontecendo desde o dia 14 de Agosto o IX Encontro de Professores Pesquisadores Sobre Educação na Contemporaneidade no Campus Ariston Dias Lima, organizado pelo Núcleo de Estudos Foucaultiano; evento que já entrou para o calendário oficial da Universidade Estadual do Piauí por congregar pesquisadores e educadores que através da Extensão Universitária queiram falar de suas pesquisas e de suas metodologias de ensino com pesquisa. O referido evento está em pleno desenvolvimento e transcorrerá até o dia 28 de Setembro, onde uma empreitada de Pesquisadores e Professores da Pós-Graduação da Universidade Estadual da Bahia – UNEB, que tem um Campus no Município de Juazeiro da Bahia, prestigiará o Campus Ariston Dias Lima com uma visita de campo e concluirá sua atividades com uma Conferencia proferida pela Prof.ª Dr.ª Luzineide Dourado Carvalho que fará uma conferência sobre o Panorama da Educação Contextualizada no Brasil, fechando assim com chave de ouro o Encontro de Professores Pesquisadores.

       O evento deste semestre trás como Eixo Central a temática As Interdisciplinaridades Foucaultianas: Uma Trajetória Pelas Ciências da Subjetividade e conta com a experiência de diversos profissionais da área da pesquisa educacional, bem como de profissionais desta e de outras regiões, que de forma comprometida trazem suas observações para a trajetória da pesquisa e do debate no âmbito desta Universidade. 

Sobre O Núcleo de Estudos Foucaultiano

         O Núcleo de Estudos Foucaultiano é um Projeto de Extensão desenvolvido como Pesquisa Aplicada e tem por objetivo fundante a compreensão da obra do filósofo Michel Foucault com vistas ao aprimoramento do espaço do debate na Universidade, tendo como referencial os pressupostos teóricos empreendidos pelo contexto que envolve os processos de desterritorialização em sua dinâmica de pluralidade junto à pesquisa educacional e a formação dos estudantes das Licenciaturas nos Campi da Universidade Estadual do Piauí – UESPI, de modo a entender e fortalecer as estratégias de ensino-aprendizagem com vistas a uma melhor compreensão dos sentidos da Educação na Contemporaneidade.

        O Professor Gênesis Naum de Farias ressalta ainda a importância do evento para a micro-região, já que o fomento por novas abordagens sobre o fazer da pesquisa em sala de aula ou a pesquisa nas escolas é um requisito que atende aos novos rumos que a escola do século XXI exigirá para que de fato se tenha um espaço escolar pontuado pela qualidade do ensino multidisciplinar. O mesmo reforça: “A escola que queremos está longe de alcançarmos, mas a que pretendemos criar ou reelaborar pode se consolidar com praticas inovadoras e com compromisso profissional, trabalho em equipe e vontade política”.

         O evento contará ainda com o lançamento de dois livros, um do próprio Gênesis Naum de Farias e um segundo lançamento do Professor Dr.José Carlos Aragão da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, que vem a público dividir sua proficiência doutoral com um trabalho inédito sobre a sociologia do presente, isto, para entender os nortes de uma geografia que em si, pretende ressignificar alguns conceitos sobre o fazer da pesquisa no Sudeste do Estado do Piauí.

     O Professor Naum de Farias ressalta ainda a importância do evento quando transfere para a Universidade o bastião deste empreendimento: “É de suma importância ajudar uma Região inteira no empreendimento de formar para atuar nas escolas e, este é o papel da Universidade Estadual, pois além de organizar eventos como este, forma cidadãos capacitados para atuarem no mundo, pois possui uma Educação humanística e de excelência, com troca de experiências mútua com outras instituições de ensino, a conviver com a diversidade. A UESPI educa jovens que partem para o mundo do trabalho com bagagem de cidadania e cultura. Venha estudar com a gente! A nossa missão é educar! Além do mais o acompanhamento acadêmico é permanente, sem contar que possuímos um corpo docente qualificado, com professores pesquisadores que atuam com formação de ponta com responsabilidade social. Somos uma Universidade que possui atividades culturais e artísticas, fazendo um intercambio com universidades parceiras. Por tudo isto, acredito que temos ainda muito por fazer, mas o desafio é para ser vencido”. Conclui o Professor Gênesis Naum de Farias.



Público Alvo: Educadores, Estudantes, Sociedade Civil.
Responsável pelo Evento: Professor Gênesis Naum de Farias
Núcleo de Estudos Foucaultiano - UESPI



Universidade Estadual do Piauí - UESPI 


Educação humanística e de excelência, troca de experiências, convívio com a diversidade. A UESPI educa jovens que partem para o mundo do trabalho com bagagem de cidadania e cultura. Venha estudar com a gente! A nossa missão é educar! 


●Acompanhamento acadêmico permanente ● Corpo docente qualificado ● Professores-pesquisadores ● Formação de ponta com responsabilidade social ● Laboratórios e oficinas ● Atividades artísticas e culturais ● Complexo poliesportivo ● Intercâmbio com universidades parceiras ● Participação em projetos sociais e ambientais ● Biblioteca com mais de 5 mil volumes. 

Informações
89 3582-1312


COMPAREÇAM!!!!!!!

sexta-feira, 7 de junho de 2013


Professor Gênesis Naum de Farias é Publicado na Revista da UNICAMP
E ainda é Destaque em Encontro de Arte e Educadores em Oeiras (PI)

Aconteceu na cidade de Oeiras (PI), Campus Professor Possidônio Queiroz entre os dias 24,25 e 26 de Maio o Encontro de Arte e Educação sobre os Novos Olhares Contemporâneos no Contexto da Realidade Escolar. O referido evento contou com uma equipe multidisciplinar para o quesito de organização, contando com professores do Campus de Oeiras e São Raimundo Nonato, do qual o Professor Gênesis Naum de Farias fez parte em comissão de organização. Além de atuar na organização, proferiu uma conferencia que se intitulou A Educação e a Subjetividade no Contexto da Indústria Cultural, ocorrida como mesa redonda na noite do sábado dia 25. Ao todo, ocorreram quatro (04) grandes Conferências e uma série de comunicações, bem como a apresentação em forma de recital homenageando o Poeta e Diplomata Vinicius de Morais, fechando o evento com a graça da poesia. O evento esteve sob a responsabilidade da Professora Magda Soares que trabalha a disciplina Arte e Educação no Colegiado de Pedagogia e o enfoque central do debate pretendeu partilhar experiências culturais e educacionais, garantindo a aproximação entre diferentes pesquisadores através de suas produções com extensão universitária. No ensejo, fora apresentando o Documentário O Estado da Arte na Fuleragem de autoria do Professor Naum em parceria com a Universidade Estadual da Bahia, através do Departamento de Ciências Humanas – DCH III/ Juazeiro – Bahia.
No ensejo, é bom lembrar a publicação recente do artigo do referido Professor Gênesis Naum, pela Revista da UNICAMP, quando trouxe relevantes contribuições teóricas e epistemológicas para o campo científico da Arqueologia. O artigo é fruto de uma conferencia proferida na própria UNICAMP entre os dias 19/03 e 23/03 na I Semana de Arqueologia. A produção do artigo é parte do intenso debate sobre o campo multidisciplinar do Currículo no contexto crítico e sua produção se deve a uma pesquisa que tem como foco ampliar as demandas práticas do trabalho acadêmico, quando o mesmo é norteado pelo referido documento (Currículo) que regimenta os diversos eixos do ensino no âmbito da formação. O autor fala sobre a publicação do artigo: “Caros Professores, gostaria de dividir com todos vocês a publicação do ensaio crítico ‘O Ofício do Arqueólogo: O Currículo em Tempos de Subjetividade e Crise’ pela Revista da UNICAMP fruto de uma conferencia nesta Universidade em meados deste ano. É com grande satisfação que comunico o lançamento dos Anais da I Semana De Arqueologia da UNICAMP – ‘Arqueologia e Poder’, publicado como edição especial da Revista de Arqueologia Pública (ISSN 2237-8294), publicação esta vinculada ao Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte (LAP/NEPAM/UNICAMP). O acesso aos textos que foram apresentados durante o evento, divididos em seções temáticas, pode ser feito por meio do link:http:/www.nepam.unicamp.br/arqueologiapublica/

Agradeço mais uma vez a todos e desejo uma ótima leitura a todos!




 

Núcleo de Estudos Foucaultiano © Gênesis Naum de Farias 
Poeta Bruxulesco®
- Professor da Universidade Estadual do Piauí – UESPI.
 São Raimundo Nonato/PI/Brasil.

 





 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Caros Amigos, Colegas, Professores!

Caros Amigos, Colegas, Professores!


Gostaria de dividir com todos vocês a publicação do texto "O Ofício do Arqueólogo: O Currículo em Tempos de Subjetividade e Crise" pela Revista da UNICAMP, fruto de uma conferencia proferida nesta Universidade em meados deste ano.  É com grande satisfação que comunico o lançamento dos Anais da I Semana de Arqueologia da Unicamp - "Arqueologia e Poder", publicado como edição especial da Revista de Arqueologia Pública (ISSN 2237-8294), publicação esta vinculada ao Laboratório de Arqueologia Pública Paulo Duarte (LAP/NEPAM/UNICAMP).

O acesso aos textos que foram apresentados durante o evento, divididos em seções temáticas, pode ser feito por meio do link: http://www.nepam.unicamp.br/arqueologiapublica/

Agradeço mais uma vez a todos e desejo  uma ótima leitura a todos!

Gênesis Naum de Farias
Universidade Estadual do Piauí - UESPI
São Raimundo Nonato

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Adeus às Armas



Núcleo de Estudos Foucaultiano© Gênesis Naum de Farias
Poeta Bruxuesco® -Prof.º da Universidade Estadual do Piauí – UESPI. São Raimundo Nonato/PI/Brasil.

 


Num dia de Primavera, onde se inventam paixões e se enviam flores aos amores tardios, o ancião Alcestes Saladino se despede dos seus segredos ao descrever seus retratos mais íntimos numa saudade tão densa que o fazia definhar como um cego perdido no mundo que criou para si ao recordar-se dos anos que se perderam no estro com tantas incertezas. O cenário parecia um idílio romântico, onde toda fortuna parecia recortada por tantas angústias que nem se apercebia que o dia dava lugar à noite que chagava com tanta pressa, anunciando o brilho de outras estrelas naquele céu de almirante. Estava decidido a fechar-se no silêncio de si e entregar-se às preces para seguir o ritmo dos ciclos litúrgicos, através de retiros espirituais. Em comunhão, entregou-se aos pensamentos na esperança de encontrar conforto às suas desilusões clamando aos céus: vocatus atque non vocatus, Deus aderit (Chamado ou não, Deus estará presente). Era um começo de noite e passava sua vida a limpo perguntando-lhe pelos desencontros do arrebol e suas eternas despedidas. Ele entendia suas mágoas como uma troça de fim de festa. Tardiamente, percebia que não conseguiria se perdoar, por ter se fechado durante muito tempo no orgulho de si, em proposições de um delírio gutural que fazia do instante um caso sem reverso. Saladino tinha mania de cantarolar versos de toda gente e aos poucos foi se acostumando a solfejar alguns que lhe insurgia na memória, mas continuou sua desdita na ânsia de falar do seu eu em pensamentos longos, que naquele início de noite duraria uma eternidade. Dizia-se Poeta e como tal, tinha que sucumbir ao sofrer. O momento era de lembranças esquecidas, quando de repente se recordou de um lamento errante. Era um lindo poema nunca antes composto, feito um banquete de alegria que se perdeu com o vazio da sina: “Tu, único sol, vem! Sem ti as flores murcham, vem! Sem ti o mundo não é senão pó e cinza. Este banquete, esta alegria, sem ti são totalmente vazios, vem!”. A seqüência de imagens sonoras não parou por aí e outros versos bateram-lhe as portas da percepção. Um destes foi rapidamente lembrado e retirado da lavra de um português muito antigo que disse em prece da casualidade que toda saudade era uma pedra no cais. Mas aquele velho mouro não conseguia calar a mente que fervilhava em constipações ancestrais. Retorcendo-se em seus próprios sentimentos, dizia para si da saudade lírica das noites de boêmia, pois nestas madrugadas fora amado e amou platonicamente a Flor do Lácio, quando na distância do cais, a saudade se fazia temerária, o amor engravidava sua mente; até que um dia “O teu amor veio até meu coração e partiu feliz. Depois retornou, vestiu a veste do amor, mas mais uma vez foi-se embora. Timidamente lhe supliquei que ficasse comigo ao menos por alguns dias. Ele se sentou junto a mim e se esqueceu de partir e enfim, partiu...”. Alcestes Saladino não era de embromo, e suas referências sentimentais se perdiam no silêncio daquele espaço estrelado onde mãos e pinceladas magras, traçavam o vazio da devoção. Queria que o curso da noite desalinhasse seu último exílio na ausência de cores sem a presença de sons nem palavras. Agora entendia a experiência de Santo Agostinho em suas Confissões: “Tarde te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei. / Eis que estavas dentro de mim, e eu lá fora a procurar-te! / Estavas comigo e eu não estava contigo. / Eu tenho sede e fome de ti. / Tu me tocaste e ardi no desejo de tua paz... / E nosso coração vive inquieto, enquanto não repousar em ti”. Ele parou um instante e refletiu mais uma vez sobre as afirmações que lhe saíam da alma e, feito um transeunte, retomou seu discurso, silenciado pela imponência da comunhão vivida em outros tempos, quando a linha austera da vida lhe cobrava alguma coisa daquele cenário. A conclusão daquela proclamação contorcia tanto aquele velho mouro que a certo momento disse para si: ─ O amor me matou e hoje sou uma personagem que já nasceu desse teatro tétrico, construído para as tragédias do labor do concreto, retratado no funéreo silêncio de emoções estáticas... ─ O langor daquela frase calou-o por um instante, e novamente fez renascer as virtudes nobres de um cavaleiro melancólico que se lamentava ao se referir à sombra nociva que se tornou com o passar dos dias, calado pelo desdém do sentimento que insistia vivo. Afinal, refez projetos, mudou seus feitos, compreendeu os erros da juventude e encontrou um jeito próprio de enfeitar as noites do seu bem. Já não havia nenhuma possibilidade de se tornar o homem que foi em outros tempos: amável, amante, sincero, correto, atencioso, amoroso, gentil e generoso. Resolve então pensar no consolo dos livros, amigos tão fiéis. Era o retorno à essência do que mais gostava de fazer: ler e sonhar com as estrelas, feito um Decifrador de Acasos. Era um desfecho avassalador para se viver ao longo de uma Primavera: “(...) conduzir-me sem ideias, sem interesse, no meio do desencadear de interesses confessados e inconfessáveis. Sou uma espécie de imposto mínimo, e por isso nem sou malandro, nem mendigo, nem um homem como qualquer, porque não quero mais do que isso”. ─ Ao troar daquela cena, parou de descrever-se por alguns instantes e, depois de um longo período, contemplou aquele brado tardio, com o olhar de quem vê e não enxerga, parado para o poente, até perceber que a noite pairava nos meandros e sua triste figura esperava apenas o conforto daquelas inquietas existências. Naquele instante de solidão, falou a Deus e entrou novamente em comunhão, silenciado pelo Infinito, ao perceber que aquele era o seu tempo de transcendência... Sua displicência foi tanta que se perdeu no sinuoso verso que à memória soprava-lhe: “Amo-te tanto Jarina, / Nesta distante insensatez / Onde a alma canta as ternuras / Da solidão da paisagem/ Na imensidade fugidia do silêncio / Ao embriagar das despedidas...”.

 

domingo, 5 de maio de 2013

A Redenção do Instante Com Deus


 
 
Núcleo de Estudos Foucaultiano© Gênesis Naum de Farias
Poeta Bruxuesco® - Prof.º da Universidade Estadual do Piauí – UESPI. São Raimundo Nonato/PI/Brasil.


 
Hoje acordei de um sonho que me colocou frente a frente com os reais sentidos da transformação. Era a idéia de um desfecho sonolento que aos poucos ia se refazendo em lembranças de um período vivido, cheio de grandes afirmações e projetos. Era a própria vida que transcorria em imagens nem sempre levada a sério pelo que se queria. Afinal, Deus havia sido esquecido, ficando apenas na concepção da forma sem nunca ser lembrado como criação. O amor é a criação de tudo. A forma é o resultado de toda criação. Ficar somente no estágio da forma é simplesmente sentir que a criação deu lugar apenas aos meandros de uma estética disforme, vazia, sem projetos, sem sonhos, sem desfecho, sem pureza, sem acordos de perdão.

O homem quase sempre vive preso ao som funéreo que a modernidade lhe impõe como parte de um delírio gutural que ao fechar-se em si, nos processos de individualização, deixa de perceber a grandeza manifestada pela motivação que nasce própria de um aceno de comunhão que só pode vir de Deus. Abandonar-se sem Deus é o mesmo que definhar por entre mundos de subjetividade que quase sempre só leva os indivíduos ao abandono de pessoas queridas, ao abandono de coisas idealizadas e projetos espirituais que por si só deixam de refletir a motivação que nos é própria, quando se busca na espiritualidade ou por meio dela, as grandes conquistas que se deixaram perdidas em algum canto da existência.

Ao tentar dormir, pensando em tudo que perdi, acordei lembrando que o outro (individuo) nunca quer somente matéria, nem quando a mesma se torna coisa ou se coisifica, porém o que se quer é o que de melhor o outro tem; ou seja, o brilho, o encanto, a motivação, as palavras de conforto e todo o brilho poético de algo que ficou para trás porque fora deixado de lado na ânsia de se encontrar com o nada de tudo. Agora era perceptível que as perdas se davam por entre aquelas reflexões. Foi impactante pensar que o melhor de tudo fora esquecido em função de um orgulho sem sentido que não me levou a lugar nenhum.

Voltar-se aos princípios da criação era o que de mais importante se poderia fazer a partir daquele instante. Nada mudaria no outro, mas no si de cada um quando em estado de maturidade, tudo e todos se colocariam no seu devido lugar. Era hora de voltar a Deus com a mesma comunhão dos primeiros instantes para reformular anseios e projetos perdidos, quando o mais importante já havia se perdido, o amor pela vida e o amor pelas coisas mais simples e importantes que a vida podia oferecer. Tudo estava por se ressignificar no limbo das existências.

Era hora de começar de novo a ser grande, influente, motivador, e em comunhão, traçar novos planos para este futuro incerto, pois de incertezas já se tinha vivido metade da própria vida. É hora de se conjugar outros planos. O amor que se perdeu se perdeu: as coisas que se perderam no curso da história precisavam ser novamente conquistadas. Os anseios de mudanças, a poesia de outros tempos, a alegria de outras conquistas, o amor e sua criação mais fluente, o brilho e seu apogeu mais tardio. Era hora de viver novamente tudo com a mesma alegria de outros tempos.

Porém ao acordar envolto em tantas lembranças percebi que poderia mudar e, mudar para se melhorar. Primeiro, era preciso viver em comunhão sem tantas ausências, sem tantas atribulações, sem tantas preocupações com o presente. O Segundo passo seria viver e voltar à comunhão com o Deus da transfiguração que é a própria criação, para depois seguir o curso da própria história sem titubear em tristezas tão sem sentidos. Era chegado o momento de voltar-se aos pensamentos grandiosos, cheios de poesia, sem se deixar levar por ideias estáticas e vazias. Era hora de replanejar o próprio mundo que renascia vivo, e por meio da comunhão, voltar a acreditar que somos indivíduos plenos de nossas insanidades, mas se recheados por dentro, pela espiritualidade que vem dos céus, a vida poderia ser mais digna de se viver no arrebol de cada cotidiano.

No final desta reflexão, já acordado e plenamente consciente dos pensamentos que burilavam minha alma, me conscientizei de que era preciso se fortalecer na fé de que os outros indivíduos não querem nossas tristezas nem nossos pesadelos, antes eles querem o que de melhor podemos lhes oferecer em grandes instantes de alegria e convicção. A convicção de que tudo que nos é mais importante cativa o outro para nos aceitar como realmente somos. Não há mais lugar para tristezas sem sentido, nem para interpolações sem grandezas.

A poesia habita aí neste lugar de sossego, se colocando no mundo pela perfeição que exaltamos ao exalarmos o que de melhor Deus nos fez ver nas ações do cotidiano. Que destas reflexões renasça o Poeta que ficou esquecido no passado, para daí fazer-se reconciliado com a própria vida, já agora cheia de encantos e pronta para entender que Deus hoje fez morado em seu coração.

O tempo da mudança e da esperança ressurgiu. É hora de reconfigurar os pedaços que ficaram das coisas que do passado serviram para obstruir os projetos maiores que a vida tem a nos oferecer. Por isto, neste dia de grandes descobertas é preciso reviver grandes projetos para dar lugar aos anseios de Deus em nossas vidas. Fiquem todos na santa luz que brilha a partir deste novo dia que nasce com os primeiros raios do sol. Que este dia floresça no coração de quem vos escreve e para quem vos escreve. Fiquemos em paz e que esta mesma paz ilumine os nossos dias...
 

Petrolina, Pernambuco. 25 de Abril de 2013.

 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Núcleo de Estudos Foucaultiano


VIII Encontro de Professores Pesquisadores Sobre Educação na Contemporaneidade


Eixo Central do Evento: Os Sujeitos Como Reflexões Sobre as Potências Criativas do Conhecimento



Programação


Conferência de Abertura: O Sujeito na Pós-modernidade. – Prof. Esp.ª Gênesis Naum de Farias/ UESPI. – 02/04/2013.

Conferência: A Máquina do Tempo: Um prenúncio à animalidade e à catástrofe. – Profº. MSc Vinicius Macedo Barreto de Negreiros/ UFRS. – 08/04/2013.

Eixo Temático: Os Estudos Foucaultianos no Contexto do Currículo

Mini-curso: Bruxos e Poetas na Era Foucaultiana. – Profº. MSc Vinicius Macedo Barreto de Negreiros. – 03 e 04/04/2013.

Mini-curso: Deleuze e a Educação: Reflexões sobre as potências criativas do conhecimento. – Prof.º Esp.ª Gênesis Naum de Farias. – 08 e 09/04/2013.

Atividades Culturais:

Exibição do filme Clube da Luta. − Sala de Conferências.

Exibição de Documentários dos alunos sobre os Diálogos Existências pelos Diálogos Pedagógicos: Debates e Diálogos Ente Comunidades.